OHB na cirurgia plástica: quando pode ajudar
Quando se fala em oxigenoterapia hiperbárica (OHB), a maioria das pessoas pensa em pé diabético ou feridas crônicas. Mas ela também tem um papel bem estabelecido como suporte em cirurgia plástica e reconstrutiva — principalmente em situações onde a irrigação sanguínea do tecido operado fica comprometida.
Por que a perfusão do tecido é tão importante
Em qualquer cirurgia que envolva retalhos (deslocamento de um pedaço de pele e tecido com sua própria irrigação sanguínea) ou enxertos (tecido transplantado que depende do leito receptor para se manter vivo), o sucesso do procedimento depende diretamente da quantidade de oxigênio que chega até aquele tecido nos primeiros dias após a cirurgia. Quando essa irrigação fica reduzida — por dobras, compressão, trombose local ou outros fatores — o risco de necrose (morte do tecido) aumenta.
Situações em que a OHB é usada como suporte
- Retalhos e enxertos com perfusão comprometida: quando há sinais de sofrimento vascular no pós-operatório, a OHB pode ser indicada para aumentar a oxigenação e ajudar a preservar o tecido.
- Necrose após lipoenxertia (enxerto de gordura): em procedimentos de preenchimento com gordura própria, complicações isquêmicas já foram descritas na literatura médica, com a OHB sendo usada como parte do tratamento.
- Deiscência de sutura: quando os pontos de uma cirurgia se abrem por má cicatrização, comprometendo o resultado.
- Infecções pós-operatórias de difícil resolução: como suporte ao tratamento clínico/cirúrgico já em curso.
- Cirurgias reparadoras em tecido previamente irradiado: pacientes que passaram por radioterapia podem ter tecido com circulação mais frágil, exigindo cuidado extra em qualquer procedimento reconstrutivo.
Importante: a OHB não é um procedimento de rotina para qualquer cirurgia plástica — ela é indicada por cirurgiões e equipes especializadas em situações específicas, geralmente quando já existe sinal de sofrimento tecidual ou risco elevado de complicação. A avaliação é sempre individual.
Como a OHB atua nesses casos
Dentro da câmara hiperbárica, a maior concentração de oxigênio dissolvido no sangue chega com mais facilidade a tecidos com circulação reduzida. Isso favorece a formação de novos vasos sanguíneos (angiogênese), ajuda a controlar o inchaço local e contribui para a síntese de colágeno — fatores que, juntos, aumentam as chances de o tecido operado se manter viável.
Entenda em detalhes como funciona uma sessão de OHB →
Quando procurar avaliação
Se você passou por uma cirurgia plástica recente e nota sinais como área muito pálida ou arroxeada, ferida que não fecha, secreção incomum ou dor crescente na região operada, o ideal é buscar avaliação com seu cirurgião o quanto antes. Em muitos casos, quanto mais cedo o suporte adequado começa, melhores as chances de preservar o resultado.
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